Nesta intervenção trago-vos um breve e digerível resumo do artigo publicado no passado Maio deste ano, na revista Frontiers in neuroscience, com o título “ Transient multidomain functional improvement in advanced Alzheimer’s disease following high-dose psilocybin-containing mushroom administration: a case report”. De forma clara e “sem espinhas”, o que foi feito por cientistas brasileiros, foi administrarem cogumelos mágicos a uma senhora idosa com Alzheimer. O que aconteceu foi…épico!
A paciente
Mulher octogenária, japonesa-americana, com Alzheimer há 10 anos. Nos últimos 5 anos: fala quase nula (monossílabos), incontinência urinária crónica, dificuldade em andar, engolir, vestir-se, e praticamente sem interação social.
A intervenção
Administração oral de 5 g de cogumelos com psilocibina (estirpe Enigma). Um mês depois, uma segunda sessão com 3 g.
A fase aguda
Febre suspeita, suores intensos, e um estado de sono profundo prolongado. Cerca de 19 horas depois, a paciente acordou e começou a falar espontaneamente durante cerca de 4 horas.
As melhorias observadas (nos dias e semanas seguintes)
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Voltou a controlar a bexiga, depois de 5 anos em que a sua bexiga estava “como animal selvagem à solta”;
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Passou a andar de forma independente;
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Voltou a vestir-se sozinha;
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Reconheceu familiares e interagiu socialmente;
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Demonstrou memória contextual e humor espontâneo;
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Na segunda sessão, descreveu imagens positivas e mostrou mais expressividade emocional
Apesar de algumas limitações, ausência de neuroimagem comparativa por exemplo, considero que se trata de uma evolução muito positiva, e que traz alguma esperança. Basta que nos coloquemos no lugar da senhora…Usar de empatia!
Estava longe de imaginar, a confirmar-se num futuro próximo, que para se tratar uma doença neurodegenerativa ( e neste conceito já coloco alguma dúvida), precisamos de “mocar” as pessoas.
Conclusão
A psilocibina — a substância presente nos chamados “cogumelos mágicos” — parece ter “acordado” temporariamente capacidades que se julgavam perdidas numa doente com Alzheimer muito avançado. Não se trata de uma cura, nem de uma reversão da doença. É um caso único, com muitas limitações científicas, mas suficientemente intrigante para justificar estudos mais rigorosos no futuro.
Fonte: https://curtoegrosso.substack.com/p/vamos-comecar-a-mocar-os-velhotes

