Esta minha publicação serve uma abordagem ao artigo “ Pharmaceutical industry sponsorship and research outcome and quality: systematic review”, publicado em 2003, portanto há 23 anos, no BMJ. E teve como objetivo a avaliar se os estudos patrocinados pela indústria farmacêutica sofrem de algum tipo de viés que, naturalmente, favorecerá o patrocinador. Ou seja…A Indústria farmacêutica.
Especialmente nos últimos 6 anos tem sido preocupantes do alertas levantados sobre este aspeto em concreto. Uma pandemia instigada e difundida, maioritariamente, por uma comunicação social (CS) podre, reles e vendida, atuando como “kapo” de superiores interesses. Neste papel a CS montou todo um conjunto de narrativas dignas dos melhores filmes policiais de Hollywood. Contudo, este papel venenoso, também trouxe à discussão e ditou vários alertas sobre a própria indústria farmacêutica. Uma indústria que está, parece-me, muito longe de valores como ética, transparência e decência. São já públicos, por exemplo, os imensos testes em seres humanos, realizados pela Pfizer na Nigéria. Testes à moda de Joseph Mengele. O péssimo trabalho desempenhado pela CS, no que se pode entender como um efeito “rebound”, desenterrou algo muito bem enterrado: A atuação miserável de várias farmacêuticas, no que é relativo à Ética e aos direitos humanos.
Por alguma razão estas souberam escolher os países onde implementar os “testes”…
Adicionando a este fator um outro… Estudos financiados pelas próprias farmacêuticas, que visam “estudar” os efeitos dos próprios produtos…. Boa! Temos aqui um binómio que, se pensarmos bem, sempre norteou a atuação das farmacêuticas. Este estudo que hoje aqui “disseco”, prova precisamente este ponto.
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O que avalia o estudo?
Trata-se de uma revisão sistemática, um dos topos do “estudo científico”, na qual foram avaliados 30 estudos. Relativamente aos quais foram avaliados vários aspetos, como: resultados e qualidade metodológica de investigação. Os mesmos aspetos foram comparados em estudos financiados pelas farmacêuticas e por outros patrocinadores.
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Fontes de viés identificadas:
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Escolha de comparadores inadequados, especificamente: Uso de placebo quando há tratamento ativo, não equivalência de doses;
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Publicação seletiva: Ou seja, as farmacêuticas publicam apenas os resultados que lhes interessam. Tivemos este exemplo, bem recente, e de forma massiva, com a Pfizer. Que anunciou a todo o mundo eficácia de 95% da sua “pica”, quando na realidade este nem chegava a 1%. Uma questão de utilizarem o modelo errado propositadamente para vender os resultados como “absolutos” no que é relativo à eficácia. Já percebemos todos, ou quase todos (há sempre uns teimosos), que foi isto que se passou;
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Interpretação favorável: Especificamente em eventos específicos sem revisão por pares.
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Na prática, o que significa isto?
Tendo em conta o OR (odds ratio) de 2.98-5.51( IC de 95%), significa com cerca de 95% de probabilidade que os estudos feitos pelas farmacêuticas têm cerca de 3 a mais de 5 vezes maior probabilidade de lhes serem favoráveis.
Conclusão
Este estudo mostra a forma como é que nascem as “verdades absolutas” ao nível dos fármacos e da farmacologia. Naturalmente demonstra também, desde há 23 anos, a tendência sistemática de os estudos financiados pela indústria lhes serem favoráveis em termos de resultados. Da mesma forma demonstra a tendência de estudos com resultdos maus ou que não interessem, ou ficam na gaveta, ou estes últimos são omitidos, e o estudo é apresentado ou publicado. Não existem verdades absolutas, e nesta área de conhecimento e atuação, estas são cada vez mais provisórias
Fonte: https://curtoegrosso.substack.com/p/farmaceuticas-o-insustentavel-peso

