Vacinas COVID-19 e lesões cardíacas: O papel de “bufo” da ressonância magnética cardíaca

Vacinas COVID-19 e lesões cardíacas: O papel de “bufo” da ressonância magnética cardíaca

Resumo orientado do artigo “Improved diagnosis of COVID-19 vaccine-associated myocarditis with cardiac scarring identified by cardiac magnetic resonance imaging”, publicado na revista Open Heart (Grupo British Medical Journal), em 2025.

Objetivo do estudo

Avaliar a incidência de fibrose miocárdica a longo prazo (detetada por late gadolinium enhancement – LGE) após miocardite associada à vacinação contra a COVID-19 (VC19).

Determinar o valor acrescentado da ressonância magnética cardíaca (CMR) no diagnóstico e estratificação de risco.

Resultados principais

30% dos doentes apresentaram LGE na CMR de seguimento, sugerindo fibrose miocárdica persistente.

Localização mais frequente: parede inferolateral basal; padrão predominante: subepicárdico.

9 doentes (13%) tinham diagnóstico definitivo inicial; 58 (87%) eram “prováveis”.

Com integração dos dados de CMR, 16 doentes (28%) inicialmente “prováveis” foram reclassificados como “definitivos”.

Doentes com LGE tiveram maior probabilidade de disfunção sistólica ventricular esquerda na ecocardiografia inicial (30% vs 6%) e valores mais elevados de troponina.

Nenhum caso apresentou agravamento de LGE no seguimento; em alguns casos houve resolução ou redução.

Interpretação e implicações

A CMR revelou cicatriz miocárdica em quase um terço dos casos, mesmo em doentes com curso clínico leve.

A utilização apenas da ecocardiografia subestima a incidência de miocardite definitiva e pode falhar na identificação de risco a longo prazo.

LGE está associado a pior prognóstico noutras formas de miocardite e cardiomiopatia, justificando acompanhamento clínico prolongado.

Recomenda-se incluir CMR no protocolo diagnóstico e de seguimento de suspeitas de VC19. Necessidade de estudos de seguimento mais longos para clarificar o impacto prognóstico da persistência de LGE.

Conclusão

Este estudo demonstra lesão cardíaca após a vacina contra a COVID-19, e que se traduz na existência e permanência de pequenas cicatrizes no músculo cardíaco, mesmo após um ano desde a inoculação. Muitas destas cicatrizes não são visíveis num ecocardiograma normal e só aparecem numa ressonância magnética cardíaca. Por isso, os médicos defendem que este exame seja usado mais vezes para confirmar o diagnóstico e seguir estes doentes, garantindo um acompanhamento adequado a longo prazo.

Fonte: https://curtoegrosso.substack.com/p/vacinas-covid-19-e-lesoes-cardiacas

Paulo A. Andrade
Paulo A. Andrade