Abordagem resumida ao artigo” Association of SARS-CoV-2 immunoserology and vaccination status with myocardial infarction severity and outcome”, publicado em 2024, na revista centífica “vaccine”.O estudo foi conduzido por investigadores do Hospital Universitário Puerta de Hierro-Majadahonda, em Madrid, Espanha.
Introdução ao Estudo
Objetivo: Avaliar a relação entre o estado imunológico contra o SARS-CoV-2 (vacinação e/ou infeção anterior) e a gravidade/resultados clínicos de enfartes agudos do miocárdio tipo 1 (STEMI e NSTEMI).
Contexto: Durante a pandemia de COVID-19, observou-se maior gravidade nos casos de enfarte. A influência da vacinação ou imunidade natural sobre esta gravidade ainda era incerta.
Metodologia
Testes serológicos: Anticorpos totais (IgM, IgA, IgG) para o antigénio N (infeção natural) e anticorpos IgG específicos para o antigénio S (vacinação/infeção).
Classificação de gravidade: Sistema Killip (I a IV) — avalia gravidade de insuficiência cardíaca, que é tanto maior quanto o grau atribuído (I a IV).
Desfecho primário: Eventos cardíacos adversos major (MACE) em 6 meses.
Características da Amostra
Total de pacientes: 949 (80% homens, idade média 64 anos).
Distribuição: 656 com STEMI, 293 com NSTEMI.
Vacinação: 53% vacinados, 49% com esquema completo, 25% com reforço. 84% receberam vacinas de mRNA.
Resultados principais
Gravidade à admissão (STEMI):
Pacientes vacinados e com serologia positiva (vacinação + infeção anterior) apresentaram risco significativamente aumentado de insuficiência cardíaca grave ou choque cardiogénico (Killip III-IV).
Rácio OR ajustado = 2.63; p = 0.010.
O Rácio OR:
Imagine que estamos a ver quantas pessoas apanham gripe entre dois grupos:
Grupo A: pessoas vacinadas
Grupo B: pessoas não vacinadas
Se o OR for:
OR = 1 —-o risco é igual nos dois grupos.
OR > 1 —- o risco é maior no grupo A (vacinados).
OR < 1 —— o risco é menor no grupo A (vacinados).
Quando o artigo diz que um grupo tem OR = 2.63 para desenvolver insuficiência cardíaca grave, isso quer dizer que esse grupo teve 2,6 vezes mais probabilidade de sofrer esse problema em comparação com o grupo de referência.
Eventos adversos em 6 meses (MACE):
MACE:Principais adventos adversos cardiovasculares
A vacinação combinada com serologia positiva associou-se a maior ocorrência de MACE em análise univariada (OR = 1.92; p = 0.045).
Níveis de anticorpos:
Pacientes vacinados com serologia positiva tinham níveis elevados de IgG específicos (>2080 AU/mL) comparativamente a não vacinados (~66 AU/mL).
Estes níveis mais altos podem estar relacionados com uma resposta imunitária exacerbada.
Discussão
Mecanismos possíveis:
A resposta imune exacerbada após infeção natural + vacinação pode desencadear inflamação persistente, agravando lesões cardíacas.
Não se observou aumento de tromboses com diminuição de plaquetas (responsáveis pela coagulação sanguínea)
Limitações
Impossibilidade de saber a ordem cronológica entre infeção e vacinação.
Informação limitada sobre sintomas de infeção prévia.
Variação nos esquemas vacinais.
Conclusão
Este estudo é como analisar como reage um terreno quando chove, se já teve um incêndio antes. A infeção por COVID-19 (como um incêndio) pode “fragilizar” o terreno (coração). Se, depois, vier uma “chuva intensa” (vacinação com forte resposta imune), esse terreno pode ceder mais facilmente (provocar insuficiência cardíaca grave após enfarte).
Em resumo: pacientes com infeção anterior por COVID-19 que também foram vacinados estarão mais propensos a formas mais graves de enfarte.
Fonte: https://curtoegrosso.substack.com/p/vacina-covid-o-zyklon-b-para-o-coracao

