Abordagem ao artigo ” Deaths “due to” COVID-19 and deaths “with” COVID-19 during the Omicron variant surge, among hospitalized patients in seven tertiary-care hospitals, Athens, Greece”, publicado na “scientific reports”, em 2025. O objetivo principal do artigo é avaliar se as mortes hospitalares registadas como mortes por COVID-19 durante o surto da variante Ómicron foram efetivamente causadas pela COVID-19 ou por outras causas não relacionadas.
A conclusão principal do artigo, de que quase metade das mortes não corresponderam a causa primária de COVID-19, não me surpreende. De todo! Desde cedo na minhas rotinas de Emergência Pré-Hospitalar, diziamos entre nós que “morrer com covid-19”, é bastante de diferente de “morrer devido à covid-19”.
O que destaco neste artigo é que faz, e muito bem, a distinção entre mortes de pessoas “com” covid-19, e de mortes de pessoas “devido”à Covid-19. Destaco a atenção para a idade média da população estudada.
Contexto
Na Grécia, todas as mortes com teste positivo para SARS-CoV-2 eram contabilizadas como mortes por COVID-19
Com a variante Ómicron (maior infeção, menor gravidade), suspeitava-se que muitas mortes registadas como COVID-19 fossem, na verdade, causadas por outras patologias.
Metodologia
Revisão retrospetiva de 530 mortes hospitalares registadas como mortes por COVID-19
Análise de três fontes: certificados de óbito, processos clínicos e entrevistas com médicos assistentes.
Categorização em dois grupos:
Mortes “devido a” COVID-19: infeção foi causa direta ou contribuiu para a cadeia de eventos que levou à morte
Mortes “com” COVID-19: morte não relacionada com a infeção.
População estudada
530 pacientes (52,4% homens; idade média 81,7 anos)
95,6% tinham pelo menos uma comorbilidade
Apenas 2,3% relataram infeção prévia por SARS-CoV-2
Resultados principais
240 mortes (45,3%) foram reclassificadas como não relacionadas com COVID-19
290 mortes (54,7%) foram consideradas “devido a” COVID-19:
133 casos: COVID-19 como causa direta
157 casos: COVID-19 como fator contribuinte
Causas de morte “com” COVID-19
Sépsis bacteriana/choque sético (105 casos)
Pneumonia por aspiração (63 casos)
Insuficiência renal aguda (10 casos)
AVC (15 casos)
Insuficiência cardíaca (19 casos)
Cancros (28 casos)
Mortes “com” COVID-19 (não relacionadas)
Pacientes mais jovens (79,9 vs 83,6 anos)
Maior taxa de imunossupressão (18,8% vs 11%)
Mais doença hepática (8,4% vs 1,4%)
Maior percentagem de infeção hospitalar (30% vs 12,5%)
Internamento mais prolongado
Menos sintomas de COVID-19
Menos oxigenoterapia e tratamento específico
Mortes “devido a” COVID-19
Pacientes mais velhos (particular atenção a este detalhe)
Admitidos em enfermarias de doenças infeciosas
Sintomas e exames compatíveis com COVID-19
Necessidade de oxigénio suplementar
Tratamento específico para COVID-19
Conclusão
Durante o surto da variante Ómicron em Atenas, quase metade das mortes registadas oficialmente como COVID-19 não foram causadas pelo vírus. De 530 mortes hospitalares classificadas como COVID-19, apenas 290 (cerca de 55%) foram efetivamente provocadas ou agravadas pela doença. As restantes 240 pessoas (45%) morreram por outras causas – como infeções bacterianas, problemas cardíacos, AVC ou cancro – mas como tinham teste positivo para COVID-19 no momento da morte, foram contabilizadas nas estatísticas oficiais como mortes por COVID-19.
Se utilizarmos a mesma percentagem aqui descrita para as mortes totais que a OMS afirma terem sido devidas à COVID-19, então, em três anos, morreram pouco mais de 3, milhões de pessoas devido à COVID-19.
Os acidentes traumáticos vitimam mais de 5.6 milhões de pessoas POR ANO. O que só aumenta e confirma, uma vez mais, o tamanho e a profundidade do embuste propagandeado do assunto “COVID-19”.
Fonte: https://curtoegrosso.substack.com/p/covid-19-quase-metade-nao-morreu?r=3vkvny

