Abordagem ao artigo: “ Therapeutic blockade of inflammation in severe COVID-19 infection with intravenous N-acetylcysteine”, publicado em 2020, na NYU Langone School of Medicine (EUA). O foco principal deste artigo é a eventual utilização de N-Acetilcisteína( Fluimucil), no bloqueio da inflamação severa provocada pela COVID-19.
Contexto clínico
A deficiência de G6PD (glucose-6-phosphate dehydrogenase) aumenta a vulnerabilidade à infeção por coronavírus devido à depleção de glutationa, sendo que a N-acetilcisteína (NAC) pode restaurar os níveis de glutationa e bloquear o stress oxidativo.
Caso clínico principal
Paciente masculino de 44 anos com deficiência de G6PD e COVID-19 grave.
Após uma dose de hidroxicloroquina, desenvolveu hemólise severa, insuficiência respiratória e foi colocado em ECMO.
Administração intravenosa de NAC (30 g em 24h) levou à:
Redução rápida da bilirrubina total e direta(indicador de funcionamento hepático)
Melhoria dos níveis de haptoglobina(indicador inflamatório), ALT e AST(Substâncias que traduzem o funcionamento hepático).
Redução de marcadores inflamatórios: CRP e ferritina(proteínas de resposta inflamatória).
Recuperação respiratória e alta hospitalar.
Conclusão
A N-acetilcisteína intravenosa demonstrou benefícios notáveis em pacientes com COVID-19 grave, tanto na reversão da hemólise(destruição de sangue), como na modulação da inflamação sistémica. Os resultados sugerem que a NAC pode ser uma terapêutica promissora para bloquear a tempestade de citocinas(cascata inflamatória), e melhorar o prognóstico, especialmente em casos com stress oxidativo elevado. Para além das óbvias vantagens da N-Acetilcisteína, trata-se de um fármaco relativamente barato e ao alcance das pessoas. Acresce ainda que atua também como antídoto do Paracetamol (Ben-U-ron). Pelo que estar a tomar estes dois fármacos em simultâneo, é igual a quase nada, em termos dos efeitos expectáveis do paracetamol.
Fonte: https://curtoegrosso.substack.com/p/covid-19-e-n-acetilcisteina

