Uma Dor que Incomoda

Uma Dor que Incomoda

Por Rui Amores

Uma Dor que Incomoda

… ou do padrão de um Estado canalha

Há um grupo de pessoas, doentes, alguns muito doentes que aprendeu a não falar ou a falar baixinho e, de preferência em circuito fechado. Hesita sempre que tem de contar o que lhe aconteceu. Afinal, a sua história incomoda, a sua dor é inconveniente. É mais cómodo calar. Melhor ficar calado. A doença, a dor, a vida destruída, esses falam bem alto, todos os dias, todas as horas do dia.

Este é o grupo de pessoas que sofreram reacções adversas graves às vacinas “Covid19”.

Os reguladores europeus declararam as reacções graves advinda da “vacina” Covid19, raras. Afinal os mesmos que autorizaram a introdução no mercado destes produtos não totalmente testados, ao abrigo de uma suposta urgência. Muitas ou poucas, raras ou não o que é um facto é que i) elas existem e já ninguém tem coragem de negar a sua existência; ii) miocardites, tromboses, quadros neurológicos que viraram vidas do avesso. e passaram a ser um facto diário da vida dos hospitais.

Muitos ou poucos, facto é que a vida de cada uma destas pessoas tem um antes e um depois.

Antes. Eram pessoas que trabalhavam, que conduziam, que subiam escadas sem qualquer dificuldade. Eram pessoas que tinham planos. Tinham um futuro.

Depois. Consultas, exames, portas que se fecham e, talvez o pior de tudo, aquela sensação de que ninguém quer saber.

Convém ser claro. Estas pessoas pagaram e estão a pagar um preço altíssimo por um (suposto) beneficio de todos.

Mas afinal só fizeram o que lhes foi pedido. Confiaram, alinharam, tornaram-se parte daquilo que o Estado, a comunicação social, os médicos disseram estar certo, ser seguro e contribuir para terminar com a pandemia.

Também é claro que reconhecer isto não é ser anti-vacinas. Desde logo porque aquilo com que foram injectados não eram (e não são) vacinas. Sobre o que eram (são) ficará para um próximo post.

Reconhecer a existência destas pessoas, dos efeitos secundários de que padecem, das suas doenças, das incapacidades adquiridas não é ser anti-vax. É ser sério. Sim, porque os países sérios já perceberam que a melhor forma de manter a confiança dos cidadãos na saúde é tratar com dignidade os que são por ela prejudicados.

Quem ostraciza os lesados, quem os ignora não defende o sistema de saúde. Mina (ainda mais) a confiança no sistema. Empurra para a obscuridade do buraco negro da administração publica aquilo que devia estar à luz do dia.

EXEMPLO DE OUTROS

A vergonha começa ou adensa-se quando comparamos o sistema de compensação português … que não existe, com o de outros países.

Antes da pandemia só 25 países em todo o Mundo tinham mecanismos oficiais de compensação decorrentes dos danos de vacinação. A Covid teve a vantagem de transformar os 25 em 40. Por exemplo, o Reino Unido, logo em 2020, estendeu o seu esquema de vacinas. A Austrália criou um programa em 2021. O mesmo acontece com o Canadá. Os países nórdicos criaram vias rápidas e transparentes de compensação dos lesados por vacinas.

Nenhum destes sistemas é perfeito. Alguns deles estiveram ou estão em processo de reformulação.

Mas existe uma diferença abissal. Uma coisa, é um sistema imperfeito. Coisa, completamente diferente, é um silêncio sepulcral, E é este silêncio que temos por aqui pelo nosso Portugal.

Por aqui um cidadão lesado por uma “vacina” Covid não tem onde se agarrar. Não tem qualquer mecanismo feito à medida do seu problema. Não há uma via célere, não há reconhecimento, não há solidariedade. O que resta ao lesado é o caminho das pedras. O litigio comum, lento, desgastante, com um ónus da prova verdadeiramente brutal, esmagador., Do outro lado da barricada, o Estado. O mesmo Estado que assinou contratos com fabricantes de vacinas assumindo a responsabilidade pelos danos. E agora, quando os danos aparecem, olha para o lado, ignora quando não ostraciza. Um Estado verdadeiramente canalha.

Os lesados, esses, estão abandonados. Não é exagero, não é figura de estilo. É uma realidade.

PIOR. AINDA HÁ PIOR

Entre os lesados há pessoas que à data da vacinação eram menores à data da vacinação. Crianças e adolescentes. Gente que foi vacinada, não por vontade própria e numa altura em que, pela idade e para o risco, o beneficio era, no melhor dos casos, marginal.

Aliás, relatórios engavetados pela Ordem dos Médicos, recomendavam precisamente o contrário. Não vacinar as crianças. Não havia necessidade e era perigoso.

Estas pessoas pequenas não tiveram voz na decisão. Hoje não são reconhecidos. Pagam duas vezes.

O Estado é indigno dos seus cidadãos quando os abandona, especialmente os mais frágeis. Quando abandona uma criança é um Estado que trabalha activamente contra a sua população, um Estado indigno de ser chamado como tal.

O MEU ORGULHO

Para mim, é uma honra terem-me associado a esta causa.

Ao longo de mais de 26 anos de advocacia meti-me em muitas lutas. Contra projectos de destruição do território, contra o atropelo da leu por quem devia ser o primeiro a cumpri-la. Poucas causas me tocaram tanto quanto esta. Essencialmente porque nenhuma das causas anteriores, ao mesmo tempo, congrega em si tanto sofrimento concreto e tanto abandono institucional.

A Marta Gameiro, mãe impulsionadora da causa dos lesados, força motriz e pedra angular de tudo o que se tem feito para proteger e dar direito aos lesados dizia um dia destes que quando alguém se dedica a esta causa reconhece o nosso esforço e isso não é vaidade, é combustível.

O CHAMAMENTO

Recentemente nasceu uma associação para dar aos lesados o que lhes tem sido negado. Uma voz, uma estrutura, um caminho.

Se sofreu, ou se alguém seu sofreu, uma reacção adversa grave não fique calado mais tempo. O seu caso não é uma vergonha. É um direito por reconhecer.

Se não sofreu, mas percebe que isto podia ter-lhe calhado a si, ajude. Divulgue. Não vire a cara.

E se é daqueles que acha que falar nisto «dá jeito aos negacionistas», pense outra vez. O que dá jeito aos extremos é precisamente o silêncio. É deixar um vazio para que outros o preencham. Nós vamos preenchê-lo com com rigor, com prova, e com respeito pela dor de quem confiou.

Estas pessoas fizeram a sua parte por todos nós.

Está na hora de fazermos a nossa parte por elas.

https://adverx19.pt/

Admin
Admin