mRNA na placenta: Atitude provocatória ao feto?

mRNA na placenta: Atitude provocatória ao feto?

Abordagem resumida ao artigo “ mRNA-1273 is placenta-permeable and immunogenic in the fetus“, publicado na revista “ Molecular Therapy Nucleic Acids”, em Fevereiro de 2025. Os dois imunizantes de última geração da Moderna (mRNA-1273) e da BioNTech (BNT162b2), que utilizam cadeias de mRNA encapsuladas em nanopartículas lipídicas (LNPs), foram amplamente administrados durante e após a pandemia de COVID-19. preocupações com possíveis efeitos embrio/fetotóxicos de novos produtos médicos levaram a restrições iniciais na sua administração a mulheres grávidas, apesar do risco aumentado de complicações maternas e neonatais associado à infeção por COVID-19 durante a gravidez.

Metodologia

Foram utilizados modelos experimentais, incluindo tecidos placentários humanos e modelos animais, para observar a passagem do mRNA-1273.

Análises moleculares, como PCR e técnicas de deteção específicas, foram aplicadas para identificar a presença do material genético da vacina no tecido placentário.

Estudos complementares avaliaram a expressão do spike proteico e a resposta imunológica nas células placentárias.

Resultados principais

  • Foi demonstrado que o mRNA da vacina consegue atravessar a barreira placentária, sendo detetado em diferentes camadas da placenta.

  • A expressão da proteína spike, codificada pelo mRNA, foi também observada em células da placenta, indicando que o material genético não só atravessa a barreira, como pode ser funcionalmente ativo localmente.

  • Não foram observados efeitos tóxicos agudos ou danos estruturais relevantes na placenta durante os períodos analisados.

  • A passagem do mRNA para o feto ainda não foi confirmada, sugerindo que a placenta pode atuar como uma barreira parcial, permitindo alguma passagem, mas protegendo o feto na maior parte.

Implicações

A permeabilidade do mRNA-1273 à placenta levanta questões sobre a segurança e o impacto da vacinação durante a gravidez, pelo que se recomenda monitorização cuidadosa de gravidezes em mulheres vacinadas com mRNA, para entender melhor o impacto potencial.

Conclusão

Este estudo demonstra que a vacina da Moderna, ultrapassa a placenta. A estrutura que protege e alimenta o bebé durante a gravidez. Apesar de a quantidade detetada de mRNA na placenta ser temporária, na verdade, não é possível garantir que seja inofensiva quer na placenta, quer no bebé. Contudo atendendo a que este aspeto é novo, é recomendada a realização de estudos prolongados e com maior “scoop”.

Fonte: https://curtoegrosso.substack.com/p/mrna-na-placenta-atitude-provocatoria

Paulo A. Andrade
Paulo A. Andrade